O que o Rio tem?

Revista Banco Hoje
Peter T. Knight
01.08.2008

O Governo do Estado do Rio de Janeiro não tem infovias, nem municípios digitais no Plano Estratégico de desenvolvimento e nem um plano de governo publicado durante a campanha eleitoral. Mas, tem um Vice-Governador que foi duas vezes prefeito do município digital pioneiro de Piraí, premiado nacional e internacionalmente. E este Vice Governador, Luis Fernando de Souza (Pezão), vem anunciando em conversas privadas e fóruns públicos, antes e depois das eleições de 2006, que quer ver todos os 92 municípios do estado seguir o rumo traçado por Piraí.

A mesma equipe que desenvolveu o projeto Piraí Digital e depois o Rio das Flores Digital (o segundo município digital do estado) vem trabalhando para construir um corredor de cidades digitais no Vale Histórico do Café e na Baixada Fluminense, agora sob coordenação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, concentrando-se sobre a questão de conteúdo. A empresa estadual de TICs, a Proderj, foi parceira na construção de Piraí, Rio das Flores e mais alguns municípios digitais fluminenses - projetos realizados com poucos recursos financeiros. Várias empresas fornecedoras de tecnologias sem fio ofereceram equipamentos quase como mostras, esperando grandes compras numa fase posterior do programa de cidades digitais para dar retorno aos seus investimentos.

O Vice-Governador Pezão é um articulador de parcerias – entre governos municipais, governo do estado e o governo federal; com universidades; com empresas do setor privado e com ONGs. Assim nasceu Piraí Digital – fruto da vontade política do então prefeito Pezão, da visão e filosofia de seu principal arquiteto intelectual, o Professor Franklin Dias Coelho da Universidade Federal Fluminense (UFF), e de mais de 20 destas parcerias. Resta ver se a visão de Pezão e seus colaboradores de um RJ Digital com 92 municípios digitais, aproveitando intensivamente as tecnologias de informação e comunicação (TICs) para melhorar a vida dos fluminenses será transformada em realidade até o fim do mandato do Governador Sérgio Cabral em 2010.

Mas, há elementos para acreditar que sim, que o Rio de Janeiro pode ser o estado líder em e-desenvolvimento, isto é, o uso intensivo das TICs para criar uma sociedade mais justa, uma economia mais competitiva e um sistema político mais democrático. Uma concorrência saudável entre estados para assumir este papel só pode favorecer o Brasil como país. Há outros estados avançando também – entre eles estão: São Paulo (a criação de 645 municípios digitais até 2010 é objetivo no Plano de Governo de José Serra, uma Rede Intragov administrada pela Telefônica que poderia servir como infovia para as cidades digitais, um crescente programa de Infocentros, Poupatempos e outros programas de governo eletrônico, e também há esquemas de parcerias desenvolvidos com apoio de universidades públicas do estado, mas ainda poucos explorados), o Ceará (onde a empresa estadual de TICs, ETICE, está construindo um “Cinturão Digital” no estado para conectar os escritórios governamentais e potencialmente 85% da população), o Acre (que tem seu projeto Floresta Digital para conectar não só todos os escritórios do governo, mas dar acesso grátis à internet de banda média aos seus cidadãos como direito à informação na sociedade da informação, a ser apoiado pelo Banco Mundial), o Distrito Federal (que tem um projeto semelhante ao do Acre) e vários outros, do Paraná até o Pará.

O que o Rio tem além do apoio político do Vice-Governador e do Secretario de Ciência e Tecnologia, da visão dos fundadores das primeiras cidades digitais do Brasil, de uma vocação para construir múltiplas parcerias e de um esquema de coordenação já montado?

Como infovia estadual parece que o Estado do Rio de Janeiro está optando por desenvolver uma relação com a Rede Rio que integra a rede Comep, “uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que tem como objetivo implementar redes de alta velocidade nas regiões metropolitanas do país servidas pelos Pontos de Presença da RNP. O modelo adotado baseia-se na implantação de uma infra-estrutura própria de fibras ópticas voltada para as instituições de pesquisa e educação superior e na formação de consórcios entre as instituições participantes de forma a assegurar sua auto-sustentação.” O Coordenador Geral e Técnico da Rede Rio, o professor Luís Felipe Moraes da UFRJ, agora tem um papel importante no desenvolvimento da info-estrutura das cidades digitais fluminenses, sob coordenação político-administrativa do Sub-Secretario de Ciência, Tecnologia e Inovação, Julio Lagún, um administrador com experiência nos setores públicos e privados na área de ICT.

O desafio agora é montar uma rede de fibra óptica de alta velocidade e baixo custo, a partir da qual se possa desenvolver redes com tecnologias sem fio para chegar aos usuários finais – e desenvolver modelos sustentáveis de financiamento. Ainda temos que ver como a relação entre o governo do estado, os governos municipais, o governo federal e a Rede Rio/Rede Comep e a Oi – a principal empresa de telecomunicações – vai evoluir. A Proderj pode ter um papel importante, desenvolvendo serviços de e-governo, inclusive com a conectividade das escolas, postos de saúde e telecentros fluminenses. A ex-presidente da Proderj, Tereza Porto, é agora Secretária de Educação e a decisão para ligar todas as escolas estaduais com banda larga até o fim de 2008 já foi tomada – dois anos antes do prazo que a Oi tem para conectar todas as escolas urbanas do estado.

Assim, o Rio tem muito, mas como nos outros estados, ainda há muito por fazer. Que a concorrência para ser o estado líder em e-desenvolvimento continue – para o benefício do Brasil todo.







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