Rede universitária

Ritu permite troca pela internet de programas desenvolvidos por tevês de instituições de Ensino Superior

Correio Popular
Richard Pfister - DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
14.07.2008

Nove universidades brasileiras integram o projeto da Rede de Intercâmbio de Televisão Universitária (Ritu), criado para facilitar o compartilhamento dos programas dos canais universitários produzidos em diferentes regiões do Brasil. Inaugurada há pouco mais de um mês, a rede começa a ganhar fôlego. Conectados pela internet através de uma rede de computadores, os canais estão aumentando a grade horária porque os programas locais passaram a transitar entre diferentes universidades.

Responsável pela Ritu na Unicamp, Alessandro Poeta Soave explica que a rede de compartilhamento é uma ferramenta interna, usada pelos produtores de conteúdo das tevês universitária. “É uma espécie de YouTube fechado”, diz. Cada produtor visualiza uma prévia dos programas disponibilizados na rede por cada canal, os chamados metadados, escolhe os programas que interessam e baixam o arquivo de vídeo (codificado no mesmo formato de DVD) para incluir o conteúdo na programação local.

A Unicamp e a PUC-Campinas compartilham o conteúdo na Ritu. Elas exibem sua programação no Canal Universitário de Campinas (CNC), exibido no canal 10 da Net. A Unip também utiliza o CNC para exibir programas, mas não integra a Ritu. A Universidade São Francisco participa do CNC, mas sem produção própria.

“As televisões universitárias não têm condições de gerar uma grade de programação com mais de quatro horas por semana”, afirma Soave, também coordenador de pós-produção. Ele explica que a equipe de produção é fixa, com produtores e editores. Mas a comunidade também oferece programas eventuais para serem transmitidos, cujos temas geralmente abordam cultura e educação. Como acontece nas diferentes televisões universitárias, alguns programas são fixos na grade. Na Unicamp, existe um programa de debate semanal chamado Palavras Cruzadas, em que são discutidos assuntos atuais diversos.

Adriano Adoryan foi diretor de programação da TV USP e agora é coordenador da Ritu. Ele concorda com Soave e explica que uma universidade, sozinha, não consegue manter uma grade de programação variada porque os custos de produção são altos. Ele explica que o compartilhamento de conteúdo reduz os custos e diversifica os conteúdos. “A PUC-Rio exibe um programa de debates que é finalizado na sexta. Uma cópia é enviada, com custo de transporte, para a USP, para ser exibido na terça”, diz Adoryan. O tráfego de fitas pode demorar dias caso as distâncias entre as instituições seja grande, dificultando o compartilhamento da programação.

Soluções como o uso de satélites tornariam inviável o custo deste processo. A Ritu permite compartilhar, de maneira muito mais rápida, as produções. Cada associado do CNC produz quatro horas semanais, num total de 12 horas que serão reprisadas, em diferentes horários, ao longo da semana. O compartilhamento possibilita montar uma grade horária com programas de outras instituições e material suficiente para 24 horas de programação. A PUC-Rio ainda não integra a rede, daí a necessidade do transporte da fita até a USP.

Saiba mais

A criação da versão 1.0 da Ritu envolveu nove televisões universitárias num projeto piloto, entre elas Unicamp, PUC-Campinas e USP, além do Lavid e da RNP. O trabalho durou quase um ano e ainda conta com reuniões periódicas, via conferência pela internet, entre os responsáveis pela rede em cada ponto do País, visando aprimorar o sistema. A instituição que quiser participar da Ritu deve conectar sua infra-estrutura de rede, que conta, além do servidor, com aparelhos para codificar os vídeos que serão compartilhados no formato mpeg2. Mais informações na página www.rnp.br.

RNP organiza trânsito de dados e coordena servidor

Para compartilhar a programação, as universidades que fazem parte da Ritu possuem um computador que funciona como o servidor local, onde os vídeos são armazenados. No Brasil, ao menos 50 canais universitários e 100 instituições de ensino superior têm produção de conteúdo televisivo e estão aptas para integrar a rede.

Segundo o professor José Dias Paschoal Neto, coordenador da TV PUC-Campinas e presidente do conselho gestor do CNC, o equipamento de informática para armazenar e compartilhar os vídeos custa aproximadamente R$ 4 mil. O acesso à rede e, conseqüentemente, ao material produzido, é feito por meio de um software criado pelo Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital da Universidade Federal da Paraíba (Lavid/UFPB), com patrocínio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

Todas as televisões e canais universitários podem receber a programação da Ritu, mas a instituição que quiser enviar material precisa se filiar à Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU) e pagar uma mensalidade de R$ 350. A gerência da rede é responsabilidade da ABTU, que avalia e sugere uma grade de programação nacional a partir dos vídeos ofertados pelos canais locais.

O servidor central da rede, cuja infra-estrutura é coordenada pela RNP, organiza o trânsito de informações. Apesar da sugestão de programação, o professor Paschoal diz que os associados têm autonomia. “Posso usar a programação do Pará ou do Sul. As rede universitárias poderão exibir o que bem entendem”, diz. De acordo com o professor, a oferta é democrática e os usuários compõem a grade horária conforme as demandas locais.

Cada instituição define quem será o responsável por disponibilizar a produção local e quem terá acesso ao sistema. No caso da Unicamp, segundo Soave, a idéia é compartilhar programas com assuntos que sejam de interesse nacional ou aqueles que não são focados apenas em questões locais.

Atualmente, os canais universitários são exibidos somente em canais pagos de televisão, isto é, de TV a cabo. A intenção da Ritu, além de ajudar a compor uma extensa grade de programação nos canais locais, é a criação de uma rede nacional de televisão exclusivamente universitária. “Estamos com o embrião pronto para uma rede nacional de televisão digital de sinal aberto. A ABTU está reivindicando uma espaço no canal público de educação”, revela Paschoal.







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