DISI 2009 ressalta as regras de conduta na web
   

O Dia Internacional de Segurança em Informática (DISI), comemorado em 2/12 na Universidade Federal da Bahia (UFBA), reuniu especialistas de diversas áreas para discutir a segurança em redes sociais. A ideia central dos debates pode ser resumida em uma fala de Rodrigo Nejm, da ONG SaferNet Brasil: “A Internet não é uma terra sem lei. Ela é um novo espaço público. E temos que tomar conta dela como tomamos de uma praça pública”.

As palestras foram abertas pela gerente do Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS), Liliana Solha, e pelo coordenador técnico do PoP-BA, Luiz Claudio Mendonça. Liliana comentou que era a primeira vez que o evento acontecia em uma universidade e era transmitido com tradução simultânea em espanhol. Apesar de enfrentar algumas dificuldades técnicas devido ao rompimento de uma fibra óptica e uma queda de energia, o DISI apresentou o ciclo de palestras previsto na programação para um público local de cerca de 130 pessoas e a centenas de interessados que acompanharam o evento pela Internet.

O consultor de segurança Thiago Bordin foi o primeiro palestrante a falar, e mostrou como empresas enxergam as redes sociais. Bordin disse que muitas companhias analisam os perfis de candidatos – e citou o Linkedin, rede criada para perfis profissionais – e que continuam a fazê-lo após a contratação, o que implica em alguns cuidados por parte dos funcionários.

Bordin contou que algumas companhias já estão incluindo políticas de conduta na web nos contratos, e que crescem as restrições de navegação no trabalho. “Tenho clientes para os quais é mais fácil perguntar quais sites ele quer liberar. Mas isso é culpa de quem não sabe usar Internet no trabalho”, comentou. Ele concluiu citando a organização Hackers for Charity, e um projeto de capacitação de jovens em segurança de TI em São Paulo.

Cibercrimes
O segundo a falar foi o delegado do Núcleo de Combate ao Cibercrime da Polícia Civil paranaense Demétrius Gonzaga, que iniciou desmistificando o que chamou de “lenda urbana”: “Dizem que não há legislação específica. Não só há como é bem incisiva. A legislação existe, só precisa ser adaptada e reinterpretada”.

O delegado listou artigos do Código Penal e leis que podem servir de fundamentação jurídica para crimes cometidos na Internet, e contou episódios em que as usou. Gonzada citou a incitação pela web e o ciberbulling como novas vertentes de cibercrime.

Seguindo o mesmo raciocínio, a advogada especializada em Direito Digital Gisele Truzzi usou uma frase do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence: “A invenção da pólvora não reinventou o crime de homicídio. A mesma analogia serve para crimes digitais".

Gisele mostrou como a popularização da Internet mudou os conceitos jurídicos de soberania, fronteira, prova e testemunha e que os casos em que costuma trabalhar lidam com o conflito entre os direitos de privacidade e liberdade.

‘Ciberespaço público’
O psicólogo Rodrigo Nejm foi o próximo a falar, e defendeu sua interpretação da Internet como um “ciberespaço público mundial”. “A Internet não é perigosa. Isso acontece porque temos feito o mau uso dela”, argumentou. E, para combater os abusos, ele indicou o www.denuncie.org.br, site mantido pela SaferNet em parceira com a Polícia Federal para registrar violações dos direitos humanos na web.

“Na Internet há, sobretudo, oportunidades. Mas é preciso ter um comportamento responsável e a orientação de um adulto, no caso de crianças e adolescentes”, completou.

A última apresentação foi do analista do CAIS Atanaí Ticianelli, que fez um “game show” com a plateia sobre dicas de segurança. Ticianelli mostrou o desenho de uma casa, e traçou paralelos entre os mecanismos de segurança do mundo real com o virtual. O analista deu dicas de como criar uma senha forte e que tipo de informação não deve ser divulgada em redes sociais.

“O importante é que tenhamos as mesmas precauções que temos da vida real. Devemos participar de redes sociais, criar comunidades com os nossos amigos, etc. É só não divulgar informações pessoais”, recomendou.






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